quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Oração a Nossa Senhora de Fátima



Para pedir serenidade e discernimento na hora do desespero e das decisões difíceis
Virgem de Fátima, Serva fiel e cheia de santa sabedoria, Templo radiante do Espírito Santo de Deus. Seja meu socorro nesta hora tão difícil, de sombras, de angústias. Sinto-me frágil e cheio de fraqueza. O medo parece ser maior que minha vontade, a tristeza parece querer tomar conta de meus dias. Fica a meu lado, Mãe dos aflitos e dos desesperados. Não sei o que fazer, mas confio em teu amor de Mãe, em ti encontro abrigo e consolo. Ensina-me a agir e a enfrentar as adversidades como Jesus o faria. Coloca em meu coração e em meus lábios os sentimentos e as palavras dele. Que seu Santo Espírito ilumine meus passos.

Amém.


Para pedir saúde
Senhora de Fátima, Mãe amorosa de todos os que sofrem no corpo e na alma. Cuida da saúde de teus filhos, alivia as dores e as doenças que nos afligem que nos desconcertam e nos fragilizam. Peça a teu Filho amado que tantos doentes curou pelas estradas de seu tempo, que tenha compaixão de nós, que seja Ele a nossa força. Que seja por Ele nosso sofrimento. Que Deus nos dê saúde para servi-Lo sempre, para cuidarmos uns dos outros. Mas que acima de tudo e sempre, seja feita a vontade de Deus Pai, que cuida de nós com infinito amor e incomparável ternura. Toma-nos pelas mãos, Mãe tão querida, e leva-nos a Jesus.

Amém.


Oração para pedir Confiança (de São Bernardo)
Lembrai-Vos o piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tenha recorrido à vossa intercessão, implorado a vossa assistência, reclamado o vosso socorro fosse por Vos desamparado. Animado eu pois com igual confiança, a Vos ó Virgem entre todas singular, como mãe recorro e de Vos me valho, e gemendo sob o peso de meus pecados me prosto a vossos pés. Não desprezeis a minha súplica, ó Mãe do Verbo de Deus humanado, mas dignai-vos a ouvir-me atenta e propícia e alcançar-me o que vos rogo.

Assim seja.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Nossa Senhora de Crea



A região italiana do Piemonte, localizada junto aos Alpes, divisa com a França, é uma das mais belas da Europa. Pois neste verdadeiro paraíso da natureza, no Monte de Crea, próximo de 350 depois de Cristo, Santo Eusébio, Bispo de Vercelli, mandou erguer uma capela em honra à Nossa Senhora. A intenção foi santificar o lugar, antes consagrado às divindades pagãs.

Dez anos depois o próprio Santo trouxe do Oriente, onde esteve exilado, três estatuas da Virgem Maria. Uma mandou para a capela de Crea e as outras duas enviou à Sardenha, sua terra natal. Estas informações foram retiradas nos seus manuscritos encontrados nos arquivos da diocese de Vercelli, datados do seu episcopado.

A antiga estátua de Nossa Senhora de Crea, foi exposta à uma longa investigação cientifica durante sua restauração, concluída em 1981. Por isto, perdeu a cor negra original e poética do restrito grupo das 'Nossas Senhoras Negras ou Morenas' a que pertence.

A capela desta devoção, verdadeira relíquia da Igreja primitiva e o coração do Santuário de Crea, também teve de ser reconstruída, ao longo dos séculos. No início do segundo milênio se estabeleceram no convento de Crea os cônegos regulares de Asti.

Em 1483, depois de uma breve permanência dos Servitas, foram sucedidos pelos monges Lateranenses. É à presença destes homens de grande cultura e sensibilidade artística, embasados na sólida formação religiosa ditada pela Ordem, que devemos o desenvolvimento do Santuário do Sagrado Monte de Crea, hoje rota obrigatória de todos os cristãos do mundo Oriental e Ocidental.

Durante dezoito anos, desde 1801 a capela e o convento de Crea ficaram abandonados, após os sucessivos saques ocorridos durante sangrentas disputas militares. Passado este período, em 1820, a Santa Sé deu a guarda do Santuário à primorosa Ordem dos Frades Menores da observância.

No dia 05 de agosto de 1890, quando o árduo trabalho de recuperação já era considerável, a venerada escultura de Nossa Senhora de Crea recebeu o manto de rainha e foi solenemente coroada, junto com o Menino Jesus que porta nos braços. Assim esta data foi oficializada para sua festa anual.
Os franciscanos demoraram cento e setenta anos para o Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Monte de Crea recuperar ao seu primitivo esplendor a desempenhar a função de 'Cidade do Espírito' proposta por seu fundador, Santo Eusébio de Verselli. Nos últimos tempos o local se tornou um importante centro de eventos marianos para o mundo cristão. Mas sempre contando com a crescente afluência de peregrinos e romeiros devotos de Maria.

Em 1980 o governo italiano demarcou a área do Santuário como reserva ecológica, a qual foi doada ao Vaticano, para sua preservação.

Desde 1992 este Santuário mariano está sob custódia dos sacerdotes da diocese de Casale Monferrato.
(fonte: Paulinas)


Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá




Chiquinquirá é uma pequena cidade situada às margens do rio Suárez, na Colômbia. É também conhecida como capital da província do ocidente e capital religiosa da nação. Seu nome, na língua dos índios chibcha, significa 'povo sacerdotal'.



No século XVI, os missionários dominicanos chegaram na Colômbia, portando a imagem de Nossa Senhora para converter os indígenas ao catolicismo. Um dos colonizadores era Dom Antonio de Santana um homem muito rico, designado como administrador das aldeias de Sutmarchán e Chiquinquirá.



Devoto da Virgem do Rosário ele pediu ao padre dominicano, André Jadraque, que providenciasse uma imagem dessa invocação para colocar na capela erguida em Sutmarchán. A encomenda foi passada ao pintor Alonso de Narváez, radicado na região. Num tecido rústico de algodão fabricado pelos índios, o artista pintou a imagem de Maria do Rosário ladeada pelos Apóstolo Santo André e Santo Antonio de Pádua. A inclusão dos dois santos foi iniciativa de Alonso, pois sobrara espaço suficiente na tela para homenagear os padroeiros do padre e do administrador, seus clientes.



O quadro foi colocado no altar da capela de Sutmarchán durante a missa de inauguração da capela, em 1562 e ficou exposto para veneração popular durante doze anos. Depois, já quase apagado e corroído pela umidade, foi levado à casa da fazenda dos Santana em Chiquinquirá.



Em 1577, Dom Antonio faleceu e a viúva Dona Joana, se retirou para aquela propriedade. Na arrumação da chegada, o quadro do Virgem do Rosário foi colocado num canto da capela e lá ficou esquecido. Oito anos depois chegou na fazenda Maria Ramos, uma cunhada do falecido Dom Antonio, vinda da Espanha para ajudar nos trabalhos domésticos da casa. A piedosa mulher não se acostumava à nova residência e ao clima do país, por isso rezava muito à Virgem Maria.



Certo dia resolveu organizar a capela e limpou o quadro da melhor maneira possível, mas não conseguiu saber de que devoção se tratava. Quando soube que era uma antiga pintura de Nossa Senhora do Rosário, pendurou o quadro num lugar de destaque da capela e passou a rezar diante dele. Algum tempo depois, Maria Ramos começou a suplicar à Virgem do Rosário que tivesse a felicidade de identificar o seu vulto naquele quadro, que mais parecia um borrão de tinta. E assim procedia diariamente durante a oração do Rosário.


Maria Ramos teve as preces atendidas no dia 26 de dezembro de 1586, quando ocorreu o milagre. Ela saia da capela quando uma índia cristã chamou sua atenção para a tela toda iluminada. Elas notaram que as cores do quadro ficaram mais fortes e a pintura voltou a ser nítida outra vez. As duas começaram a gritar felizes por Dona Joana. Então as três mulheres se ajoelharam diante da Virgem do Rosário e louvaram a Deus pela bondosa graça.



Naquele lugar, em 1608, foi construída uma igreja que se tornou Santuário e em 1812, foi consagrada Basílica dedicada a Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá.

Quatro anos depois, na luta da independência da Colômbia, a Virgem recebeu a mais alta patente do Exercito. E com a vitória o próprio Simon Bolívar, o libertador, humildemente foi à Basílica agradecer e depositar sua espada aos pés da Mãe Santíssima. O Papa Pio VII declarou solenemente Padroeira da Colômbia, Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá, em 1829, para ser celebrada no dia 09 de julho. Mas o povo a homenageia também em 26 de dezembro, data do primeiro milagre do quadro.

A coroação canônica ocorreu em 1919. Em 18 de novembro de 1794, se repetiu o milagre da renovação da imagem dessa invocação, desta vez pintada em madeira, na cidade de Maracaibo, Venezuela. Uma igreja foi erguida no local do prodígio. A fama dos milagres se manteve vigorosa através dos tempos e os venezuelanos passaram a invocar 'La Chinita', como amorosamente nomearam a Virgem do Rosário de Maracaibo.

Assim, em 18 de novembro de 1942, a Igreja Católica coroou canonicamente a imagem da Padroeira de Maracaibo. Foi a primeira celebração oficial no seu dia. Além disso, a igreja onde se venera a imagem milagrosa venezuelana foi consagrada como: Basílica

Site: http://www.fatima.com.br/

Nossa Senhora de Akita


A jovem Agnes Katsuko Sasagawa era uma catequista na igreja Myokô-Kogen quando adoeceu e perdeu definitivamente a audição. Inclusive o médico que a tratou no hospital público de Joetsu lhe forneceu o documento referente à pensão que teria direito do governo, pois a lesão era total nos dois ouvidos.

Agnes entendeu que Deus a chamava para a vida de oração e ingressou no Instituto das Servas da Eucaristia em Akita. Alí se tornou a protagonista das aparições da Virgem Maria, jamais ocorridas antes no Japão.


Tudo começou em 1969.

Agnes rezava seu Rosário quando um anjo apareceu e lhe pediu para incluir entre as dezenas a oração ensinada por Nossa Senhora aos três pastorzinhos em Fátima. Embora surda, ela ouvira aquilo perfeitamente, obedeceu e nunca mais deixou de reza-la.

No dia 12 de junho de 1973 ouviu uma voz enquanto rezava e viu uma luz inundar a capela. Aquilo continuou acontecendo até o dia 28 de junho, quando acordou com a mão esquerda doendo e sangrando muito, devido a uma ferida que aparecerá em forma de cruz.

Agnes recebeu a primeira mensagem em 06 de julho. Ela rezava diante de Nossa Senhora, quando viu seu anjo da guarda e ouviu a voz de Maria vindo da imagem. Outras religiosas notaram o sangue caindo de ferida que surgira na mão esquerda da estátua, idêntica a de irmã Agnes.

A imagem de um metro de altura foi esculpida de um único bloco de madeira de uma árvore Katsura. Era uma reprodução daquela das aparições da Mãe de Deus à uma mulher em Amsterdã, após a Segunda Guerra Mundial, na Holanda.

Ao todo ocorreram quatro manifestações de sangue saindo da mão esquerda da escultura.

No dia 29 de setembro a ferida tinha desaparecido sem deixar marca e a imagem passou a apresentar um certo 'suor' na testa e pescoço.

Agnes recebeu a segunda mensagem em 03 de agosto e a terceira, no dia 13 de outubro de 1973. Mas por mais nove anos ela recebeu instruções do anjo que lhe falara no início.

A partir de 04 de janeiro de 1975, a imagem de Nossa Senhora de Akita passou a chorar. Em pouco mais que seis anos, a estátua verteu lágrimas por cento e uma vezes, em datas diversas. Uma delas chegou a ser registrada pelas câmaras de um canal de televisão que fazia um documentário sobre os fatos sobrenaturais de Akita.

Em 1984, após investigações científicas rigorosas, a veneração de Nossa Senhora de Akita foi aprovada pelo Bispo da diocese. Quatro anos depois a Santa Sé declarou autenticas as mensagens de Maria, em Akita, que pedem aos fiéis: oração, sacrifício e entregue total a Deus.

A aparição também é considerada uma nova manifestação de Nossa Senhora de Todos os Povos, que previra antes em Amsterdã, a conversão do Japão.

Fonte: Paulinas


Nossa Senhora das Três Mãos


É muito interessante essa devoção à Virgem das Três Mãos, cujo culto nasceu de um ícone milagroso da Mãe de Deus, que teria intercedido em um milagre alcançado por São João Damasceno, no século VIII.

Considerado o último dos Santos Padres Orientais, mais tarde declarado Doutor da Igreja, passou sua vida inteira sob o governo de um Califa muçulmano.

João nasceu numa família cristã, em 675, em Damasco, Síria. Nessa época as duas religiões ainda conviviam em relativa paz. Tanto, que seu pai, um cristão fervoroso, era um alto funcionário do Califa, o qual aprendeu a respeitar a sabedoria do pequeno João e acabou lhe dedicando uma sincera amizade.

Devido a sua cidade natal, na juventude João era chamado de 'o Damasceno' e se tornou um influente sacerdote da Igreja cristã da Síria. Foi um dos maiores e fortes defensores do culto das imagens sagradas no difícil período dos hereges iconoclastas. Mesmo atacando abertamente o governo muçulmano, sempre foi protegido das vinganças, pelo próprio Califa.

Diz a tradição, que insuflado por uma mentira que tornava João Damasceno um conspirador do governo, o Califa se sentiu traído pelo velho amigo. Por isso, ordenou que lhe cortasse a mão direita, conforme a lei muçulmana. João Damasceno, porém, profundo devoto de Maria, rezou com toda fé diante do seu ícone. No dia seguinte, a mão estava recolocada no lugar. Como prova de sua gratidão, ele pendurou uma mão de prata no ícone e mandou pintar um novo com esta mão votiva, diante do qual passou a fazer suas orações. Assim surgiu o ícone da 'Virgem das Três Mãos' e sua devoção.

Ao logo dos tempos o seu culto se difundiu e muitas cópias surgiram nos mosteiros e igrejas cristãs do Oriente. No século XIII, São Sabas, filho de Estêvão I, fundador da dinastia e do Estado independente da Sérvia, antes de se retirar para o mosteiro do Monte Athos, esteve em Jerusalém e levou para seu país um ícone de Nossa Senhora das Três Mãos, para ser venerado na Catedral da capital Sófia.

Mais tarde, seu pai abdicou o trono e se recolheu à vida religiosa. Então, juntos decidiram fundaram um mosteiro para os sérvios em Kilandar, chamado 'Mosteiro da Santíssima Mãe de Deus' ou 'Casa da Santíssima Mãe de Deus de Kilandar', um reconhecido centro religioso e cultural. Em 1459, a Sérvia ficou completamente sob o domínio dos turcos muçulmanos.

O ícone venerado em Sófia foi transferido para o Mosteiro de Kilandar, local que deu origem à outra tradição cristã. No início do século XVII, certo dia, os monges desse Mosteiro não conseguiam entrar em acordo para eleger o novo guia espiritual. Por isso, a Senhora das Três Mãos teria descido do altar para assumir essa função e comunicado os monges através de uma visão à um dos mais velhos.

Daquela época em diante os religiosos de Kilandar rendem à Virgem das Três Mãos todas as honras devidas, especialmente no dia 28 de junho sua festa anual.

Com base nessas e outras tradições, a terceira mão que aparece no ícone foi interpretada como: mão auxiliadora da Mãe de Deus que sempre intercede pelos fiéis junto ao Senhor.


Nossa Senhora do Vale de Catamarca (Argentina)


A predileção de Nossa Senhora pelos índios é notória.

Basta pensar em Nossa Senhora de Guadalupe, no México, Nossa Senhora de Coromoto, na Venezuela, Nossa Senhora de Las Lajas, na Colômbia, e tantas outras.

Por que esta predileção?

Porque uma mãe sempre se desvela por aqueles de seus filhos que mais necessitam. Ora, dada a triste condição espiritual em que se encontravam nossos índios na época dos descobrimentos, imersos nas trevas do paganismo, explica-se a solicitude da Mãe de Deus em converter e auxiliar esses seus filhos do Novo Mundo.

A imagem milagrosa prefere ficar entre os índios
Por volta de 1542, começaram os espanhóis a civilizar a zona norte da Argentina, onde se encontra o Vale de Catamarca. Diversas expedições foram percorrendo o país e fundando aldeias. Nelas, aos poucos iam se estabelecendo sacerdotes e povoadores católicos, que se empenhavam em fazer apostolado com os silvícolas.

Entre os índios dessa região destacavam-se os calchaquíes, muitos dos quais não demoraram em converter-se à santa Religião Católica. E, algum tempo depois, passaram a venerar uma imagem de Nossa Senhora que se encontrava na gruta de Ambato, perto do povoado de Choya. Era uma imagem de mármore, de 42 centímetros de altura, que representava a Imaculada Conceição.

Qual a origem dessa imagem?
Isto é objeto de apaixonados debates até hoje. Alguns supõem que a tenha levado São Francisco Solano, o qual pregou missões naquelas paragens. Outros julgam que foram os padres jesuítas. Entre os índios da região era crença geral que o próprio Deus formou a imagem e a colocou na gruta de Ambato.Os espanhóis tomaram conhecimento da existência da imagem em 1630, pois um dos índios comunicou o fato à autoridade daquela região, Dom Manuel de Salazar, administrador do Vale e defensor dos indígenas.

Este cavaleiro, bom cristão e de origem nobre, atuou como deve fazer uma verdadeira autoridade nestes casos: de forma discreta mas eficaz. Foi verificar se era procedente a comunicação, pois temia que os índios estivessem adorando algum ídolo.

Confirmando não haver nada de pagão naquela devoção, tentou convencer os índios a levarem a imagem para a cidade dos espanhóis. Estes, contudo, não o quiseram. Chegaram até a montar guarda diante da imagem, para evitar qualquer problema. Afinal, após verem que a imagem sorria e refletia uma luz no olhar, consentiram na trasladação. Esta foi levada para um altar na casa do próprio Salazar, onde começou a operar prodígios.Mas Nossa Senhora, com saudades de seus índios, fugiu para a primitiva gruta.

Os espanhóis primeiro pensaram que os índios a tinham levado, mas depois comprovaram que estes nada tinham a ver com o desaparecimento. Levaram-na de volta a imagem para a cidade, mas ela várias vezes retornou à gruta.Isto perdurou até que foi edificada uma igreja para a milagrosa imagem, tendo-se destacado especialmente os índios nessa construção.

Apostasia dos índios afasta Nossa Senhora
Infelizmente, o coração humano é inconstante. Quem diria que a tribo dos calchaquíes, para a qual a imagem aparecera, tornar-se-ia uma das mais terríveis inimigas da civilização católica na região?

Cumprir os Mandamentos divinos é difícil. Às vezes, pessoas recém-convertidas à verdadeira Fé progridem na vida espiritual, mas depois abandonam a prática da virtude e tornam-se piores do que eram antes da conversão - 'Quanto maior a altura, maior o tombo'...

Com a perversão dos índios calchaquíes, a imagem de Nossa Senhora tornou a desaparecer da igreja, mas não para apoiá-los em sua revolta contra os católicos. Pelo contrário, mostrou-lhes seu desgosto com a apostasia. Os documentos da época atestam que os mais terríveis combates da rebelião indígena coincidem com novas desaparições da imagem, a qual retornava à igreja com o manto cheio de pó, salpicado de barro, com pequenas folhas grudadas e a face ruborizada.

Foi especialmente notória a aparição de Nossa Senhora aos indígenas durante o ataque à cidade de Valle Viejo e ao forte São Bernardo, em 1658.

Quando, 10 anos após esse ataque, desejando os espanhóis lembrar a vitória, levaram alguns índios prisioneiros à igreja onde se encontrava a imagem, estes começaram a gritar e a pedir para sair da Igreja. Por que razão?

Observando a face da imagem, reconheceram nela a 'guerreira que vimos em muitas batalhas'. E ficaram apavorados.Que triste reviravolta! Tão amados da Virgem, a ponto de Ela deixar outros filhos para permanecer junto a seus filhos indígenas. E depois tão infiéis, a ponto de se aterrorizarem com Ela!

Socorro materno para os filhos fiéis
Mas se nos mantivermos fiéis e não relativizarmos nossa Fé, poderemos presenciar milagres como o ocorrido com um devoto de Nossa Senhora de Catamarca. Após recuperar a saúde graças à intercessão da Virgem, ele decidiu fazer uma peregrinação até seu Santuário, para agradecer-lhe o favor. Tendo atingido a região de Salinas, seca por excelência, faltou-lhe água. Estava para morrer, quando encontrou um jarro de prata cheio de água. Ficou muito surpreso, pois encontrar água já teria sido um prodígio, mas outro prodígio é encontrá-la num jarro de prata de muito valor, em pleno deserto.

Decidiu então levá-lo ao Santuário, em agradecimento a Nossa Senhora. Qual não foi sua surpresa quando, ao entrar na sacristia, tomou conhecimento de que esse mesmo jarro havia desaparecido misteriosamente do Santuário na data em que ele o encontrara no deserto...

Pensemos nesses fatos: alguns tinham tudo e tudo perderam pelo pecado; outro nada tinha e estava às portas da morte; foi salvo pela devoção a Nossa Senhora.

Sejamos como este filho confiante e fiel!!!

Fonte: Valdis Grinstein em 'Catolicismo'


Nossa Senhora da Ponte, Padroeira de Sorocaba


Quem não precisou, em determinado momento da vida, passar por algum obstáculo que, por suas próprias forças, não conseguiria transpor? E quem melhor do que Nossa Senhora para nos auxiliar a transpor os abismos que defrontamos em nossa vida?

Assim como as pontes nos possibilitam atravessar obstáculos geográficos, Maria Santíssima é a ponte que nos conduz ao Céu.Nascimento de uma devoção Muitas vezes, surgem situações nas quais as pessoas pedem a proteção materna de Nossa Senhora sem pensar em realidades etéreas e metafísicas.

E, por vezes, isso pode ocorrer ao se transpor uma ponte, uma vulgar e despretensiosa ponte. Por exemplo, na França medieval, no século XII, o seguinte episódio deu origem à devoção conhecida como Notre Dame du Pont (Nossa Senhora da Ponte). Em 1198 o Rei Felipe Augusto, da França (avô de São Luiz IX), foi socorrer a cidade de Gisors, cercada por seu rival, o Rei da Inglaterra Ricardo Coração de Leão.

Conseguiu Felipe Augusto passar entre as tropas inimigas para entrar na cidade. Mas, no momento em que atravessava a ponte sobre o rio Epte, esta cedeu sob o peso do exército e o Rei caiu na água. Cair num rio portando pesada armadura não é situação invejável... O Rei invocou Nossa Senhora e conseguiu chegar salvo à margem.

Para agradecer à Virgem Santíssima, mandou dourar uma imagem de Nossa Senhora, que colocou na nova ponte à entrada da cidade. Nasceu assim uma devoção. Desconhecemos como terá surgido a invocação de Nossa Senhora da Ponte em Saint-Junien-sur-Vienne, na diocese de Limoges (França). Esta é antiga, pois o Rei francês Luiz XI foi duas vezes lá em peregrinação, já em 1465.

Em Portugal existe uma cidade chamada Ponte de Lima, a qual pode bem ter nascido próximo à ermida que havia junto à ponte que cruza o rio. Também na cidade de Villarica, no Paraguai, existia uma devoção de Nossa Senhora da Ponte.

Devoção de Nossa Senhora da Ponte em Sorocaba
Em 1590, foi construída uma ponte na região de Sorocaba, Estado de São Paulo, para dar passagem à expedição de Afonso Sardinha, a qual visava explorar as minas de ferro do morro de Ipanema.

A expedição acabou fundando uma cidade que não vingou. Mas a ponte ficou, e lá estava quando veio Baltazar Fernandes, de Sant'Ana do Parnaíba, com sua família, colonos e escravos. Ele fixou-se na região, surgindo então a atual cidade de Sorocaba.

Baltazar Fernandes levou uma imagem de Nossa Senhora. Para a cultuar devidamente, construiu uma capela dedicada a Nossa Senhora da Ponte.

Talvez seja a mesma capela que ainda existia em 1820, junto a uma velha ponte de madeira que atravessava o rio Tietê, perto do salto de Itu.

Por que essa imagem intitulava-se da Ponte?

Por estar junto à ponte de madeira?

Ou possuía Baltazar Fernandes uma cópia da imagem portuguesa de Ponte de Lima?

Nada ficou registrado. Pode também ser ela cópia da imagem paraguaia, pois o vigário da cidade de Villarica era muito amigo do fundador de Sorocaba, cuja esposa era oriunda de família espanhola.

Seja como for, a invocação a Nossa Senhora da Ponte ficou conhecida e permanece até nossos dias. Quem ainda hoje visita a atual Catedral da cidade, encontra uma imagem barroca do século XVIII, muito provavelmente de origem portuguesa, que representa Nossa Senhora de pé, tendo o Menino Jesus em seu braço esquerdo.

Quantas pessoas já invocaram a Virgem Santíssima diante dessa imagem! E a quantas ela terá ajudado a transpor a ponte da eternidade! Uma caraterística das obras católicas é de serem belas e práticas.

E se uma ponte nos lembra Nossa Senhora, o que pode haver de mais belo e mais prático?

Fonte: Valdis Grinsteins na Revista Catolicismo